DICA LITERÁRIA | 'Clube da Luta' de Chuck Palahniuk

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A primeira regra do clube da luta é não falar do clube da luta“. Então, como eu vou escrever essa resenha? Simples! Eu não faço parte do clube da luta. E mesmo assim, eu estaria falando sobre o clube da luta quando dissesse para não falar sobre o clube da luta.

Se você já ouviu falar sobre o clube da luta, certamente deve isto a alguém (além de mim agora) ter quebrado a primeira regra. E o maior quebrador de regras é o diretor David Fincher, que fez um filme baseado no livro de Chuck Palahniuk. Que muita gente, incluindo o próprio Chuck, alega ser melhor que o livro. O filme é considerado um cult muito aclamado, e sim, eu não assisti. Assim como Laranja Mecânica, Clube da Luta faz parte da lista de filmes baseados em livros dos quais quero ler o livro antes de assistir. Pois bem, vamos ao livro.

O início da leitura foi um pouco sofrida. Me incomodei com a narrativa do Chuck e quase empaquei, mas insistir valeu a pena.

A história é narrada por… O narrador não nos informa seu nome. Ele era apenas um simples e pacato homem infeliz com sua vida, e frequentava grupos de apoio de pessoas com doenças degenerativas para ter vontade de viver. Ele não possui nenhuma doença degenerativa. Nesses grupos de apoio, ele conhece Marla, outra pessoa infeliz com sua vida, que não possui nenhuma doença degenerativa. Porém, um se sentia incomodado com a presença do outro. Ambos fingindo. E, então, combinaram que Marla ficaria com os grupos de apoio. Mas nosso narrador ainda precisava de uma motivação para viver, e é ai que entra Tyler Durden. Tyler é um amigo do nosso narrador, que um dia pediu que o socasse na cara. E assim se inicia o clube da luta. A princípio era apenas ele e Tyler batendo um no outro no estacionamento de um bar. Depois já havia o clube da luta. Homens se reunindo no porão de um bar para lutarem. Não para ganharem nada, não para perderem nada, mas simplesmente para lutarem. Bater e socar as frustrações de sua vida. Seus incômodos, seus fracassos, suas preocupações. Você não é você no clube da luta. Fora do clube da luta eram advogados, motoristas, garçons, vendedores, bombeiros, policiais, executivos, estudantes, desempregados e tudo mais. Porém, no clube da luta, todos são iguais.


Você não é o que você faz para viver. Você não é sua família e não é quem pensa que é…

— Você não é seu nome…

— Você não é os seus problemas…

— Você não é a idade que tem…

— Você não é suas esperanças.

O clube da luta é comandado por Tyler, e cresce de tal forma que outros clubes da luta começam a surgir. Mas não fica só nisso. Ramificações — como o projeto de ataque violentos — foram criadas, até os grupos de Tyler tomarem proporções megalomaníacas e se tornarem quase uma seita ou uma organização secreta. Até uma fábrica de sabão, para se ter ideia, fazia parte dos projetos de Tyler. No meio disso tudo se encontra Marla, que se envolve com Tyler e com o nosso narrador, que é quem mais se lasca na história.

Infelizmente, eu já ouvi falar tanto do filme que, antes de ter lido o livro, eu já sabia o maior spoiler sobre clube da luta que se pode saber (quem já leu a obra ou assistiu o filme, já se ligou). Mas isso não atrapalhou a trama em nada, pois a história é tão interessante que saber o spoiler melhorou até a história.

Se você olhar a obra de diferentes ângulos, verá os diferentes tipos de questionamentos filosóficos e sociais. As motivações dos membros dos projetos, os conceitos existenciais, a apologia ao caos, a visão de sociedade e tudo mais que faz o livro ser ainda melhor.

Você não é um floco de neve, bonito e único. É a matéria orgânica em decomposição como todo mundo e todos fazemos parte da mesma composteira.


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